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Apesar da Organização Mundial da Saúde considerar a obesidade como doença, muitas vezes percebemos muita confusão a respeito do que é obesidade. Uma pessoa é considerada obesa quando possui peso 10% a 20% maior do que o peso médio ideal para o sexo e altura.Todo peso a mais é supérfluo e prejudicial, pois aumenta o risco de doenças como diabetes, pressão alta e artrite. Na maioria dos obesos, o aumento da gordura tem origem no desequilíbrio entre a alimentação e exercício físico. Pelo menos 30% dos casos de obesidade têm um fator genético associado: a famosa tendência a engordar, mas pode haver uma razão clínica para o aumento do peso. Por isso, deve ser tratada com orientação do médico, e como uma questão estética e de saúde.
A obesidade é o resultado do balanço do que se come e o que se gasta de energia. Ou diminue-se a quantidade, sem alterar a qualidade da comida, ou aumenta-se os gastos energéticos, ou ambos. Obedecendo as dietas e os exercícios físicos, o peso diminui gradualmente e de acordo com o ritmo de cada um.
O Brasil, segundo um relatório da ONU, é o país que tem o maior consumo de medicamentos para emagrecer à base de anfetaminas (substâncias que tiram o apetite) do mundo! E apesar destes medicamentos serem indicados para pessoas que possuem IMC (Índice de Massa Corpórea) além de 30, ou IMC entre 26 e 30 mas que possuem histórico de pressão alta, diabetes ou colesterol, nota-se que cerca de 90% dos consumidores destes medicamentos são mulheres e que estão apenas 5 ou 6 quilos acima do peso. Isto significa que o uso de remédios para emagrecer está associado à estética, e não à saúde.
Quando tomamos um remédio contendo anfetaminas, um hormônio que age no cérebro controlando o apetite chamado noradrenalina é aumentado, e o problema é que junto com a perda do apetite vêm uma perigosa lista de reações como boca seca, alterações de humor, dor de cabeça, insônia, taquicardia, euforia, falta de ar, hipertensão, dependência, prisão de ventre, depressão e crises de ansiedade e pânico. Temos 3 substâncias deste grupo disponíveis no Brasil atualmente – a dietilpropiona (também chamada de anfepramona), o femproporex e o mazindol. O inconveniente maior deste grupo é o risco de dependência, e por razões de segurança seu uso foi proibido nos países da Comunidade Européia. A tendência atual é utilizá-los apenas para os pacientes que não possam adquirir a sibutramina e o orlistat (Xenical*) ou que não consigam emagrecer com eles.
A decisão sobre usar ou não um remédio para emagrecer deve ser tomada sempre por um médico, baseando-se na avaliação cuidadosa dos benefícios e dos riscos envolvidos. Como já está bem comprovado que o excesso de peso traz pode trazer sérios problemas de saúde, na maior parte dos casos esta relação risco/benefício será extremamente favorável, desde que realmente a pessoa esteja obesa.
Assim, novas leis estarão sendo implantadas no país a partir de 2008 para limitar o uso indiscriminado de anfetaminas, de forma a tirar o Brasil do ranking de campeão do uso indevido destes remédios.
Dra. Luciane Manganelli – Farmacêutica Esp. em Farmacologia
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